terça-feira, fevereiro 14, 2006

Apistogramma trifascita

Apistogramma trifasciata, provavelmente uma das espécies mais interessantes do género apistogramma.

O género Apistogramma abrange variadíssimas espécies, muitas ainda por descobrir, catalogar e documentar, no entanto, existe uma em particular que apresenta como característica física principal, três belas faixas que percorrem o seu magnífico corpo, o seu nome é Apistogramma trifasciata e é dele que irei falar. O Apistogramma trifasciata foi pela primeira vez descrito e documentado em 1903 por Eigenmann e Kennedy, descrito originalmente com o nome de Biotodoma trifasciatus, nome que foi mudado mais tarde para o que conhecemos actualmente. Etimologicamente o nome "trifasciata" é composto por duas partes distintas, (tri) palavra grega e que significa três, e, (fasciata) palavra com origem no latim que tem como significado faixa, claro que se juntarmos as duas palavras obteremos a palavra "trifasciata" que significara três faixas.

O seu nome deve-se ao facto de que este Apistogramma apresenta uma característica muito própria, isto é, tem uma faixa a mais do que será normal nas espécies de Apistogramma, ficando esta situada entre a faixa lateral e a faixa da bochecha, delineando um percurso que será mais ou menos desde o olho até à base da cauda anal.

Como todos os Apistogramma, o trifasciata é endémico da América do Sul, sendo encontrado em países como o Brasil, Bolívia, Paraguai e a Argentina, mais especificamente o Apistogramma trifasciata poderá ser encontrado no sistema do Rio Paraguai, no Rio Paraná e também no Rio Guaporé, rio este que corre até ao Rio Madeira estando assim ligado indirectamente com o Rio Amazónico. Fisicamente o Apistogramma trifasciata macho presenteia-nos com um esplêndido corpo de cor azul metálico, azul celeste e com alguma raridade verde metálico. Normalmente os primeiros raios da dorsal são de dimensões maiores, sendo muitas vezes os raios do 3º ao 5º de tamanho superior chegando por vezes atingir o tamanho de meia barbatana dorsal. A dorsal é toda ela de cor azul celeste sendo que os raios maiores podem ou não ter uma cor avermelhada, a barbatana caudal apresenta uma forma redonda sendo muitas das vezes desprovida de cor apesar de alguns trifasciata poderem ter caudas meio avermelhadas, o crânio poderá ter alguma pigmentação amarela. Nas fêmeas o padrão de cor é mais "básico", apesar disso não deixa de ser belo antes pelo contrário.

As fêmeas têm então um corpo mais amarelado, amarelo esse que se intensifica quando a fêmea entra em fase de procriação. A dorsal é também meio amarelada sendo que os primeiros raios já não se estendem como no caso do macho e apresentam uma cor preta. Ao nível de tamanho, em média um macho poderá atingir os 6cm, já a fêmea fica-se em média pelos 4cm. No que diz respeito à sua manutenção deveremos dar bastante atenção a três factores importantíssimos para manter em excelentes condições estes magníficos animais, são eles: água, decoração e alimentação.

A água é algo que deveremos ter sempre debaixo de olho, pois deve apresentar sempre as características específicas para o Apistogramma trifasciata, isto é, ser ácida e mole. Deverá ter um pH entre 5.8 e 6.5, uma dureza menor ou igual a 4ºdGH, uma condutividade menor que 150µS/cm e uma temperatura entre os 20ºC e 29ºC. No que diz respeito à decoração esta deverá representar ao máximo o habitat natural deste animal, devido a isso, teremos de dispor de um aquário com um mínimo de 50 litros de agua, devendo este ter alguma areia e estar repleto se possível de troncos, raízes, folhas secas e algumas plantinhas se necessário. Este tipo de decoração permitirá assim obter de maneira natural as tais características de água necessárias à manutenção do Apistogramma trifasciata.

A alimentação será outro dos aspectos super importantes nunca devendo ser deixada para segundo plano. Deveremos dar aos nossos animais sempre que possível comida fresca e viva, apesar destes aceitarem com alguma facilidade e paciência a comida em flocos e sticks especialmente confeccionada para ciclídeos anões sul-americanos. Tendo em vista a sua reprodução o criador deverá ter em mente os aspectos acima referidos, sendo que a boa qualidade da água e uma boa alimentação será meio caminho andado para se conseguir a tão desejada procriação. Para a desova deverá ser colocado no aquário um coco ou então um pequeno vaso de barro para que a fêmea possa lá colocar os ovos.

Na fase de reprodução como já havia sido dito mais acima a fêmea veste o seu belo vestido amarelo e começa a fazer o seu ritual de dança tendo como objectivo principal captar a atenção do macho, quando o macho se sente atraído pelas danças da fêmea este irá com ela para dentro do coco ou vaso e lá irão fazer a postura, depois da postura efectuada o macho é normalmente escorraçado e a fêmea ficará encarregue de proteger o ninho de amor em conjunto com os seus ovos, o macho por sua vez ficará na periferia do ninho e tenderá a defender este de potenciais predadores. No fim de alguns dias se tudo correr bem a fêmea aparecerá com a sua prole a nadar fora do ninho, os alevins serão "comandados" pela fêmea com as suas barbatanas peitorais.

Os alevins deveram ser alimentados sempre que possível com artémia recém eclodida, vermes de grindal, micro vermes, etc. É de salientar o crescimento lento do Apistogramma trifasciata quando comparado com outras espécies de Apistogramma, por isso o criador terá de ter muita paciência e não desanimar porque no fim irá ver o seu esforço bastante recompensado.

É assim o Apistogramma trifasciata, um belo peixe, de comportamento fascinante, ou não fosse ele um ciclídeo na verdadeira ascensão da palavra, ao alcance de praticamente todo o aquariofilo. Espero com este documento poder ajudar a fazer compreender melhor o Apistogramma trifasciata.

Abraço,

2 comentários:

Adriano Fleck de Paula Pessoa (fleck@secrel.com.br) disse...

Caro colega dos amantes dos apistogrammas, primeiramente, parab�ns pelo artigo (Apistogramma trifascitae, 14 de fevereiro de 2006) pelas lindas fotos dessa maravilhosa esp�cie que � o trifasciata. Seu artigo me motivou a adquirir um casal a umas duas semanas atr�s. Fiquei muito satisfeito ao ver que o casal se adaptou muito bem ao meu aqu�rio. Cuidei bastante para deixar o tanque da forma como foi descrita no seu texto. Apesar de, aparentemente, tudo estar em ordem, h� um problema que n�o consigo imaginar uma solu�o: parace que o macho n�o conegue reconhecer o seu par como uma f�mea, pois ao v�-la, ele a afasta de seu territ�rio como se fosse um outro macho. N�o entendo que tipo de comportamento � este. S� tenho certeza que os dois formam um casal, uma vez que nota-se com bastante clareza a cor amarelada da f�mea as tr�s faixas nos dois. Ficaria muito agradecido se o amigo pudesse me trazer um esclarecimento a este esquisito fato, ser� que trata-se de um macho homosexual? Abra�o/Adriano

heraldo disse...

Olá Adriano. os cichlideos de um modo geral são territorialistas e quando nao estao em epoca de acasalamento, eles nao se suportam. entretanto, a femea deverá manifestar interesse pelo macho e o atrairá. aí sim ele ficara apaixonado e formara um casal.
Abraço